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D. José Cordeiro

Arcebispo de Braga e Primaz das Espanhas

Mensagem

A música é linguagem de esperança

 

O órgão, considerado o melhor dos instrumentos musicais, ajuda a escutar a voz de justiça e de paz porque a cultura tem uma função social: “a Igreja recorda a todos que a cultura deve visar a perfeição integral da pessoa humana, para o bem da comunidade e de toda a sociedade humana. Portanto, é necessário cultivar o espírito de tal forma que as faculdades de admiração, intuição, contemplação se desenvolvam e se torne capaz de formar um juízo pessoal e de cultivar o sentido religioso, moral e social” (Gaudium et Spes, 59).

O órgão remonta ao século III a.C., mas até aos nossos dias somaram-se o cravo, o clavicórdio, o piano, o harmónio e muitos outros. A experiência da edição do Festival Internacional de Órgão 2022, também educativa, oferece alguns destes instrumentos, sob o mote “as teclas e os teclados”.

Braga, com este evento, com eco além-fronteiras, afirma a sua condição de cidade da Cultura onde o órgão e a música erudita são elementos ancestrais e de indiscutível valor. A presença mais antiga de um órgão em Braga remonta ao período da romanização e, hoje, o perímetro urbano conta com cerca de 50 instrumentos, na maioria de valor histórico. Trata-se de um enorme conjunto de órgãos históricos (com mais de 100 anos). Um tesouro que nos distingue, mostrando uma herança que se pode afirmar bimilenária.

O órgão está presente nas nossas igrejas e faz parte das comunidades que vivem a fé. A harmoniosa relação da música e da Liturgia é salientada nos preliminares do Ritual Romano para a celebração das Bênçãos: “a música sacra tem lugar muito importante na celebração dos divinos mistérios. Concretamente o órgão, na Igreja latina, exerce uma função de relevo: quer quando acompanha o canto quer quando toca sozinho, aumenta o esplendor dos ritos sagrados, contribui para o louvor divino, favorece a oração dos fiéis e eleva o seu espírito para Deus. Dada a íntima relação do órgão com a música e o canto nas ações litúrgicas e nos exercícios de piedade do povo cristão, convém que seja benzido antes de ser destinado ao uso litúrgico”.

Nas celebrações litúrgicas, a arte musical tem como fim principal a glorificação de Deus e a santificação dos homens. Por isso, o som do órgão é um sinal eminente do cântico novo que devemos cantar a Deus na harmonia universal da criação.

Retomar os concertos. Abrir de novo as portas das igrejas da “Roma Portuguesa” é responder a apelo do público, das mais de 5000 pessoas que na última edição assistiram ao Festival e que aguardam, ansiosas, pela programação singular, original e eclética que é já imagem de marca deste evento.

Ao longo das oito edições já muito trabalho foi feito: devolveu-se a voz e a vez a 7 órgãos que foram restaurados, colocou-se a cidade na rota dos principais festivais europeus, aproximou-se o público de todas as idades. Muito mais há a fazer pela valorização deste inestimável património, assim como sonhos e projetos para que os órgãos de Braga sejam reconhecidos como verdadeiro tesouro.

A música é linguagem de esperança!